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Construído há mais de 30 anos o Mercado Municipal de Pedro Juan Caballero, a “feira
paraguaia”, como é conhecido pelos vizinhos ponta-poranenses, é uma mistura de
Mercadão com Camelódromo, mas sem a organização e o charme dos dois centros
comerciais mais populares de Campo Grande. O que sobra na simpatia dos
comerciantes, falta nas condições de higiene. As instalações são rústicas e o
esgoto corre a céu aberto.
São centenas
de lojas onde se vende todo tipo de produtos ou serviços, desde hortifruti,
carne bovina, galinha e porco à escolha do cliente e matados na hora, produtos
eletrônicos, roupas, aparelhos de eletrodoméstico a sapataria, bicicletaria,
barbearia, eletricista, oficina mecânica e até uma escola de alfabetização de
jovens e adultos em espanhol e guarani.
“Aqui
vendemos de tudo e por preços bem baratinhos. Nada pode ser caro porque só
paraguaio pobre vem comprar aqui. Os ricos nem passam perto”, disse Mariano
Ramirez, dono há 15 anos de um box especializado na venda de ervas medicinais e
farinha de fubá produzida artesanalmente. A farinha sobre o balcão, coberta por
um plástico para evitar moscas, é exposta com orgulho. “Essa farinha é
totalmente natural. Nós é que fazemos diretamente do milho, sem química”,
explicou Ramirez.
Segundo ele,
como os produtos são baratos o faturamento mensal dos donos de box também é
baixo. “Faturamos em média 400 mil guaranis (cerca de R$ 600) por mês”.
Atração a parte
Entre todas
as barracas do mercado, uma chama a atenção de forma especial, seja por nojo ou
por pena dos animais à venda. É a barraca de Florentino Romero. Lá ele vende
galinha, pato, marreco, ganso e galinha de angola, todos expostos vivos nas
gaiolas. “Aqui a gente mata na hora. A pessoa escolhe e nós matamos e
entregamos o bicho já limpo”, disse ele. A compra é uma tarefa que exige
estomago forte e frieza do cliente.
Enquanto
atende a reportagem do Campo Grande News a água segue fervendo numa lata
de 20 litros sob um fogão a lenha improvisado no chão. “Pegamos o bicho vivo,
puxamos o pescoço dele e jogamos na água fervendo. Aí é só tirar as penas.
Matamos porco também, mas hoje não tem”, explicou Romero, que há 8 anos
trabalha no Mercado Municipal de Pedro Juan Caballero. A galinha abatida na
hora custa 30 mil guaranis (cerca de R$ 15). O ganso é o produto mais caro da
barraca. Custa 50 mil guaranis (cerca de R$ 25).
No setor
destinado ao que no Brasil chamamos de açougue não há balcão frigorífico para a
conservação do estoque. A carne fica exposta numa espécie de varal e a mercê
das moscas. Lá, tudo ou quase tudo do boi é colocado à venda. Pendurada e com o
sangue escorrendo numa bacia havia uma cabeça de boi, que pelo visto acabara de
ser abatido, a espera dos clientes.
“Fazemos aqui
um prato muito especial chamado Yña kamguê Ivy.Guy (cabeça de boi cozida na
terra). É muito gostoso. A carne da cabeça tem um cheiro forte, mas sabendo
fazer o tempero fica demais de boa para comer. Depois de bem assada debaixo da
terra comemos até o cérebro, a língua e o olho do boi”, disse o paraguaio
Sérgio Martins Batista, que mora em Pedro Juan Caballero e trabalha de garçom
num restaurante de Ponta Porã.
Serviço:
Estando em Ponta Porã, a 328 km de Campo Grande, o acesso ao Mercado
Municipal de Pedro Juan Caballero é pela Avenida Tenente Herrero Bueno, a cerca
de dois quilômetros da Avenida Internacional que separa o Brasil do Paraguai.
As lojas e barracas funcionam de segunda-feira a sábado das 4h da
manhã às 21 horas. Aos domingos só até o meio-dia.
O Mercado Municipal de Pedro Juan Caballero ocupa uma área de 10
mil metros quadrados e dá emprego direto para 1.500 pessoas.
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